sábado, 16 de abril de 2011

DERIVAÇÕES DO SER

NUM PANO DE BUREL

Num pano de burel
De tom amarelo cor de mel
Com cansaços e abraços
Soltam-se os teus e meus passos

Esta rosa e louca boca
De amor entontecida
Esperou-te perdida
Numa vida cheia ou oca

Caminhos impossíveis
De sonhos intangíveis
Que alguém ao vento gritou
E ao luar soluçou

Mesmo assim, de ti e de mim,
Quis gritar perdidamente
Como uma qualquer gente
Vestida de chita ou cetim.

2010.07.13

DERIVAÇÕES DO SER

AMA-ME, ANDA, ABRAÇA-ME!

Ama-me,
Anda, abraça-me!
Cerca-me com os teus braços
Vigorosos do trabalho árduo
Do dia a dia…

Beija-me com os teus lábios
De mel e rosas,
Pétalas e cheiro a jasmim,
Mentol e bolo de arroz,
De que tu gostas, e, te inundas
De desejo e saciedade,
Quando estás comigo…

Mais uma vez, abraça-me,
Aquece-me com o teu corpo
E diz-me
Que me amas…

2009.08.29

DERIVAÇÕES DO SER

DERIVAÇÕES DO SER

NOS TEUS ENLEIOS

A seiva suave, alimenta-te!
Sobe pelo teu tronco,
Braços, ramos e folhas…

Teu corpo é um ser em construção,
Em constante metamorfose,
Que na rebeldia
De um sopro de intenso vento,
Quer cair sobre mim
A qualquer hora e dia
Em momentos de alegria ou dor…

Ouso desafiar-te!
Não quero permitir que me domines
Com os teus enleios,
Os teus desejos e ensejos
Da esperança e do amor…

Pensa, quem eu sou!
Quem tu és!
Quem somos nós!

E permito…

2009.08.24

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

POESIAS

DE BESTA, EM PLENA ARENA


Tons sépia e terra de sienna
Murais evocativos
De laivos sanguinolentos
De besta, em plena arena.

Nessa luta encarniçada,
Entre touro e cavaleiro
Cai aquele, após lenta rendição
Contra a própria paliçada.

Tal flagelo animal
Na luta da sobrevivência
E de heróica resistência,
Após uma desigualdade tal.

Quem venceu?
Quem foi vencido?
O homem no seu apogeu?
Ou o animal destemido?

2010.01.01

POESIAS

SOLIDÃO

A solidão é mais que um momento,
É a angústia dolorosa de um tormento,
É dor de te desejar, e, não te ter…
É a lembrança de um bem querer,
Que outrora vivi intensamente,
Mas que assim passou, rapidamente…

A solidão é dor que fica no meu peito,
De te ter amado a meu jeito,
De saudade e amor infindo,
Sem ousar pensar no tempo vindo,
Nos sonhos que juntos acalentámos
E nos filhos que, em vão, desejámos…

A morte veio ofuscar a esperança,
Tal mar em tempo de bonança,
Que um dia, tu e eu, sonhámos,
Nos dias festivos em que nos encontrámos,
Outrora, noutra vida, noutro mundo,
Que desconheço já, tal desceu fundo…

2009.08.25

DERIVAÇÕES DO SER

DERIVAÇÕES DO SER


Eu sou uma navegante de nuvens, solitária.
As ameias daquele castelo evaporam-se na bruma dos teus olhos e na ansiedade da tua boca.
Queres amassar-me contra uma parede de relva circundada de rosas vermelhas como o sangue que corre em tuas veias.
A brisa do mar de verde vulcânico entranha-se no meu cabelo de lima, limão, limão esmeralda, caju, tanto faz. O importante é ver-te com o teu sorriso de folha branca por entre teus lábios de cereja. Flutuas no mar ou no ar? Que importa? És tu? Ou não és?
A nuvem passageira e airosa atormenta o teu cérebro fruto de canseiras e cansaços, desesperos e lágrimas.
Os sentimentos já não são o que eram. Ou pelo menos assim pensava eu. Mas não. São iguais. Sempre iguais. Os protagonistas é que mudam. Hoje és tu. Amanhã outro ou ninguém. Ao fim de algum tempo, já não tens sentimentos. Tens lembranças. Já não sabes chorar, nem amar, nem querer, nem sonhar. O espírito entorpece e amarra teu corpo ao desperdício, ao quebranto, enganado à vida sufocada, à desesperança de uma vida...